Contando as horas
Eu tento não fazer nada que remeta a contar as horas, mas não consigo evitar fazer risquinhos no calendário a cada dia que passa. Cada quadradinho à frente é um dia a menos, é um dia mais próximo de ficar um período afastada para colocar a cabeça no lugar, de novo. Acho que estou sempre precisando colocar a cabeça no lugar. Eu queria encontrar uma palavra no dicionário que resumisse tudo o que é estar aqui hoje. É por amor? Não sei. É pelo dinheiro? Bom, todos precisam se sustentar.
Só sei que este lugar está tomando distância do que eu imaginava que era quando criança. E todo final de ano fica cada vez mais evidente. O tempo no qual, não importava como você levasse o ano, o objetivo era seguir em frente, para o próximo ano. Se tivesse sido displicente o ano inteiro, colhesse o que plantaste. É uma lição universal. O que você planta, colhe.
Hoje não plantam nada e ainda ganham parte da colheita para o próximo ano. “Eu que plantei, ganhei minha passagem para o próximo ano com esforço. E tal pessoa não fez nada e ganhou também”. O que responder quando questionam isso? Quem tem que responder com a maior cara de pau somos nós, não os engravatados que estão lá no ar-condicionado da capital. Um ano de luta contra um sistema e eu conto as horas. Não consigo evitar.

Comentários
Postar um comentário