Quão difícil deve ser...

Olá, pessoal!

Alguém que possa estar lendo esta postagem já passou pela situação de ter que mudar de cidade e passar por todo o processo de adaptação em uma escola nova? Particularmente falando, eu passei por isso e posso dizer que foi uma das coisas mais difíceis pelas quais passei na vida. Feliz aqueles que conseguem lidar melhor com esse tipo de situação. No entanto, o assunto não é sobre mim hoje. Eu gostaria de comentar algo que eu vi na escola em que trabalho.

Eu tenho uma turma cujas aulas são uma na terça e uma na sexta. Na terça eu vi pela primeira vez um aluno que entrou para a turma recentemente. Aconteceu que, nesse dia, eu aplicaria uma atividade avaliativa, então fui conversar com ele assim que entreguei as folhas impressas. Nessa conversa eu descobri que ele tinha vindo de outra cidade e entendi por que ele estava sozinho no canto dele. Então eu disse para ele fazer o que ele conseguisse fazer para eu saber como estava o inglês dele e que, havendo necessidade, eu aplicaria outra atividade pra ele.

Eis que se passaram nem cinco minutos e já teve aluno dizendo que havia terminado. Incomodada, eu disse "não, não... eu não fiquei a noite toda trabalhando nessa atividade pra você fazer em cinco minutos. Leia direito, pense antes de marcar as respostas".

Conforme o tempo ia passando, a luta do momento era fazer com que os alunos ficassem quietos durante a realização da atividade, que guardassem os celulares, mas em vão. Eu me senti mal duas vezes: uma por mim, outra pelo aluno novo. Primeiro, me incomodei com o fato de "cagarem e andarem" pra mim. Você pedir silêncio durante a realização de uma atividade avaliativa e que parassem de mexer nos celulares era a mesma coisa que não pedir nada. Conversam como se estivessem na pracinha. Segundo, comecei a observar o aluno novo. Ele vestiu o capuz da blusa e baixou a cabeça. Ele não conversava com ninguém e ninguém também se mobilizava a conversar com ele, isso depois das entregas das atividades. Também, quem vai querer conversar com alguém que, a cada dez palavras, duas são "teu c*", ou "vai tomar no seu c*", "vai se f****"?

Eu queria poder perguntar ao menino se estava tudo bem, mas não consegui. Eu não senti abertura pra perguntar. E por fim, na sexta ele faltou. Acredito que ele deva pensar "onde foi que vim parar".

Passando o final de semana, vou ver com os outros professores o que eles acham da situação. Sei muito bem o quão triste é você mudar de escola, ninguém fazer amizade com você e, pra contribuir com o mal-estar, estar num ambiente nada agradável. Pra mim não é. Não sou hipócrita, afinal, também falo palavrões, mas pelo menos eu sei onde posso falar e onde não posso.

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